e dessa liquidez, b e b a

rio que transborda ~ águas de dilúvio ~ desaguando em qualquer mar ~ todo o mar ~ maré cheia

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domingo, 16 de janeiro de 2011


é que em todo o lado, mesmo no invisível, há uma porta
longe ou perto não somos donos, mas simples convidados
a vida, por respeito, requer constante licença

sábado, 8 de janeiro de 2011

Boca


feridas da boca se curam com a própria saliva

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

limpeza

se
nem
for
terra

se
trans
for
mar

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Rubem Alves


vento engarrafado não serve para empinar pipas
nem faz o cabelo voar

domingo, 11 de julho de 2010

haikairência

ai, quanta carência
cansei de auto-suficiência.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

vem

“Vem, te direi em segredo aonde leva esta dança.
Vê como as partículas do ar e os grãos de areia do deserto giram desnorteados.
Cada átomo, feliz ou miserável, gira apaixonado em torno do sol.”

Jalal ud-Din Rumi

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

"Darkness has covered my light and has changed my day into night
Now where is this love to be found, won't someone tell me?
Cause life, sweet life, must be somewhere to be found
Instead of a concrete jungle where the livin' is hardest Concrete jungle, oh man, you've got to do your best"

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

uma terça-feira INFINITA de

E.s..p...e......r...........

...a

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

alguma coisa mudou.





o silêncio.






foi aí que ela percebeu que aquilo sempre fora amor.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008




talvez eu ainda não tenha aprendido o suficiente com os ipês.
ensinem-me, belos


ensinem-me!

emergência

seu corpo já cansado, fatigado da mesma ladainha da sua cabeça, se rende ao consolo da cama solitária de solteiro.o cheiro no travesseiro ainda está lá e o sentido a penetra sem pedir licença, fazendo lembrar do prazer tido naquela tarde incrivelmente quente.

a cabeça rodeia; ela inquieta.
ela pensa em desistir.
ela pensa em deixar pra lá.
ela pensa em melhorar.
ela pensa em esquecer.
esquecer tudo aquilo que a faz sangrar. tudo aquilo que a faz doer. que rasga e queima e pira, faz casulo na cabeça.

talvez pense em encarar.

pensa que todas as opções são fugas. e que deve doer demais encarar aquele fato que já a fez sofrer tanto. e que dói muito agora, dói a toda hora. e que esquecer é quase como colocar a mão num machucado; basta alguma coisinha que cutuque novamente a ferida que ela abre e, sem dó, desanda e desestanca numa enxurrada de lembranças.
angústia na cama molhada de suor, lágrimas e desgostos.
é melhor encarar, o esquecimento pode voltar na forma de lembrança, e a lembrança torna-se sentimento, e o sentimento vir à tona, entrar nos olhos e se transformar em lente. daí subir à cabeça e descer à boca, ir pros membros, ir pro mundo e ferir quem não deve ser ferido.
e sabe que, no fundo no fundo, aquilo tudo está na superfície;
é o ego,
talvez orgulho.
é uma briga feia.
ela briga consigo mesma.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

lembrete

ACHAR MENOS
SER MAIS
achar ME menos
ser mais
me achar menos?
ser-me mais,mesmo

ACHAR (me) menos
SER (me) MAIS

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

ai... (suspiro)
depois de um dia continuamente corrido, onde cada minutinho veio coladinho n'outro sem dar trégua nem pra respirar,
encontrei minha calma num céu crepuscular.

domingo, 3 de agosto de 2008

a poesia da cólica menstrual

em geral, os animais ovulam e copulam com um objetivo: o de reproduzir. você ovula para que seu ovócito seja penetrado por um espermatozóide, o mais rápido e robusto deles, e torne-se um óvulo. posteriormente um embrião e logo logo um feto.
mas nós, humanos, temos recursos contraceptivos. não queremos ser como macacas no cio ou como éguas no estro, trepando a todo o momento (isso queremos) e embarrigando a cada ovulação (isso não). também não somos como as ratas, que se não estiverem no estro, não acasalam. sem o estímulo hormonal da ovulação uma rata não consegue se colocar na posição sexual, a lordose, na qual ela arqueia as costas e sacode sua caudinha para bem longe, prontinha para receber seu macho. essa posição muda o ângulo e a abertura da vagina, tornando-a acessível ao pênis do seu ratinho quando ele a cobre por trás. nas porquinhas-da-índia uma membrana normalmente recobre a abertura vaginal. para abrir a membrana e permitir o sexo é preciso haver a liberação de hormônios sexuais, durante a ovulação. e o hormônio sexual que dita em maior tom de voz é o estrogênio; é ele que controla tanto o desejo sexual como a física sexual.
ainda bem que não temos membrana alguma nos impedindo de transar quando bem entendemos ou dependemos do estrogênio para nos posicionarmos, apenas quando estamos ovulando e sabemos que a chance de gerar prole é quase sempre garantida, de quatro ou de pernas abertas. ainda bem que somos como nossas amigas primatas - transando quando bem entendemos - e com uma vantagem em cima delas: não engravidamos a toda ovulação, graças aos nossos métodos, seja lá qual for ele.
mas, será que ainda não temos alguns requícios dessa aparente "evolução"? será que nosso corpo não guarda mágoas e rancores, na forma de primitivismos? qual será a função biológica da cólica? ficarmos tão doloridas a ponto de nos sentirmos um vegetal prostado na cama ou ficarmos iradas como forma de proteção (??) ao óvulo não fecundado que está sendo desprezado e descartado?
tirando o fato cientificamente tedioso de que a dor é proveniente dos movimentos musculares de compressão de nosso querido útero (órgão único e sem equivalente masculino), para que então o endométrio se destaque do nosso miométrio e descame, levando com ele - como se já não fosse suficiente a perda significativa de tecido da nossa parede uterina - sangue, muito sangue, será que nosso querido corpitcho não sente uma pontinha de mágoa por não haver fecundado dessa vez? será que, ao perceber que o primoroso e dispendioso (afinal, por que é que você pensa que quer comer tanto chocolate assim? tanto açúcar a cada dia de tpm e durante a menstruação? filhota, o trabalho da ovulação é energeticamente dispendioso! esse seu desejo de chocolate nada mais é que obra do seu órgão feminino pedindo energia, energia, energia!! pra cobrir tudo aquilo que agora ele sabe que está simplesmente indo para o lixo, quer dizer, para o absorvente. é seu útero reinvidicando energia) trabalho de preparar e escolher um ovócito entre vários outros possíveis ovócitos para ser liberado e lindamente farejado e capturado pelas fímbrias rosadas de nossas tubas uterinas para abrigá-los numa viagem pelo túnel rosado de nossa mucosa falompiana foi por água abaixo (ou útero abaixo), ele não se sente triste? e chore? e doa? seja machucado e também machuque?
acho que esse é ponto de vista que quero ter das minhas cólicas, já que elas me acompanham há vários anos e provavelmente continuarão a me acompanhar pelo resto de minhas menstruações. não a nego. nunca a neguei. nego o sofrimento calado. dou ao meu útero o direito de não calar sua dor. de se mostrar ferido e me ferir também, de sentir ira por não ter sido fecundado e gritar de dor. dou-lhe o direito ao sofrimento, dou-lhe o direito a dor, dou-lhe o direito ao grito. dou-lhe tudo isso e grito e choro junto com ele.

terça-feira, 29 de julho de 2008

sobre começos ou momentos que fotografo na memória


Dança mais perto
Perto de mim
Chega aqui
De rabo de olho
E de saia também
Te vejo
Te sinto
Rodo e te vejo
E te sinto

Mas não olho
Vejo. Não olho
Sinto. Não toco.

Te perdi do meu olhar!
Ai, e ainda levou meu ar!
Onde andas?
Ah.. no bar
O olho enxergou
O ar voltou
Com tua graça risonha
Agora dança mais.

De novo! O ar!
Roubou de mim
Ali, longe!
Aqui, agora.

Vês? Ah, vê!
Certeza tenho! Me procuras também, te vejo me olhando,
Só quando não me vês
Dançando, disfarçando. Talvez?!

Vai mesmo?
Já?
Pena, pena..

Abraço apertado. Parabéns
Adorei, foi mais que demais.
Já te parabenizei?
De novo,
É que foi demais.
E esse medo de olhar no fundo?
Ai.

Volto contigo
Pra casa
Contigo

Não no branco, no verde.
Não no passageiro, no guia.

Voltarei contigo
No passageiro
No branco
No vidro
Tamborim.
Ou caixinha de fósforos
por mim....

img: Yasuhide Fumoto

sábado, 19 de julho de 2008

então é assim:

img: Alissa Monks, the last call, 2002

é assim que saio da tua vida
sem tristes despedidas, sem lágrimas no rosto, sem gritos de sufoco.
saio assim, feito a rainha do samba; com um triste sorriso no rosto mas com gingado nas ancas.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

o que afeta e rasga, tange e quase tinge de uma cor furtiva - que foge da vergonha - é esse conta-tudo-que-faz. olha, eu sou assim!, e dança e requebra feito mamulengo, exagerando as articulações, deixando os joelhos tronxos. uma queda inevitável, diriam, se não fosse uma mão por trás, firme na cintura.
ai, bonequinha de luxo... ha ha ha! de luxo??
de seda ou de pano?

tá mais pra pano. surrado e remendado com agulha de farpa, remendo de festa de anteontem, sujo de vinho e de bolo, de riso forçado, de gozo e de raiva.

um trapo, por assim dizer.




..e são tantos assim, que andam por aí, fingindo ser o que já nem sabem se já foram.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

m.u.l.h.e.r

O mistério da mulher está em cada afirmação ou abstinência, na malícia das plausíveis revelações, no suborno das silenciosas palavras.
Henriqueta Lisboa

Na "mulher interessante", a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando: - "Ser bonita não interessa. Seja interessante!"
Nelson Rodrigues
imagem: Alissa Monks