e dessa liquidez, b e b a

rio que transborda ~ águas de dilúvio ~ desaguando em qualquer mar ~ todo o mar ~ maré cheia

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

teu querer por vir. (rima)

Não me olhe só corpo-carne, como se seus olhos não fossem dignos dos meus olhares. Não me queira só com sexo, como se teus lábios não almeijassem os meus. Não me teste o sexo sem antes provar a textura de toda minha pele. Não enfie teus dedos em certos abismos úmidos e quentes, sem antes estrelaçá-los aos meus dedos.

É tênue essa linha que divide o triste e o insólito do amor calcado. o amor por-vir..

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[e é óbvio que retornarei a esse assunto]

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

MariBeth

levanta
sacode a poeira
e dá a volta por cima.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Alto Lá





Alto lá/Não volte aqui não/Quem lhe fez fingir viver/Uma vida feliz?/Tá, eu sei/Meras tolices/Nos fizeram sem querer/Precisar de um juiz/Ah! essas suas/Chaves já não/Servem mais/Meu quarto e sala já tem/Um corretor/E se você quiser/Terá de /lugar, meu amor/Alto lá/Não fale assim, não/Nem no medo vão nos ver/Ter a vida feliz!/Mas cansei/Pois além disso/Nossa estupidez não nos/Deixou ver quanto gris/Ah! essas /Suas/Frases já não/Ofendem mais/Meu quarto e sala já tem/Um fiador/E se você quiser/Saiba que eu tenho já, meu amor./Nem mais sei quem é você/Que está aqui de /Mudanças./Só, vou lhe deixar aí!/Solidão e lembranças...

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

terça-feira, 14 de agosto de 2007

carta a um beija-flor


passarim que beija as flores mais bem quistas...


a verdade é que estou perdida. mais que nunca (ou mais que sempre, vá lá). acontece que por mais que haja mil-e-uma pessoas ao meu redor, estou só. SOZINHA, beija-flor, so.zi.nha. parece que ninguém mais entra aqui, entende? parece que há uma barreira, por mais que eu queira ela não deixa ninguém passar pra cá.perdoe-me por colocar-te nesse saco de farinha, perdoe-me por não saber o que dizer, é que eu só sinto... e não sei muito bem; os sentimentos, como bem sabes, não são alfabetizados.te quero bem, te quero muito bem. sábado me vi muito em ti, sábado te vi em mim. me vi em tua casa, você na minha, nós num gramado qualquer falando besteiras quaisquer, nós na casa com tua tia ficando bêbadas e rindo trocando olhares cúmplices. nós pintando e bordando em silêncio, assistindo a um filme qualquer, ouvindo nossas músicas (que às vezes nos tocam sem nem uma palavra trocar), me vi num lero muiro gostoso com teu pai e quis me sentir em casa. me vi aprendendo a fazer aquelas flores com tua mãe enquanto aguardo você está no banho pra gente sair. me vi embaixo do edredon contigo e quis ali estar. me vi acordando ao teu lado e sendo tua, toda tua.


mas acontece que eu não sei


acontece que eu não sei..


sabe, EU NÃO SEI!!!
me ajuda?


*talvez eu seja uma vagabunda.





se correr o bicho pega Stephen, se ficar o bicho com..
se correr o bicho pega Stephen, se ficar o bicho com..

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

conserto interior - antes de consertar o mundo lá fora


Angústia, s. f., é uma esperança que nos acena da porta, mas que a gente nunca sabe se está entrando, ou se está saindo.

(pequeno dicionário idiossincrático da memória)

o amor é muito sereno com você. assim não consigo me sentir maluca, doida de amor, anrder em febre, surtar, querer me jogar em qualquer lago, lagoa ou rio e chorar soluçando sem hora pra acabar, me sentir a mais patética do mundo só por um dia não ter recebido um "alô" bem entonado, um "boa noite" bem gostoso, ou mesmo um olhar confortante. passar noites e noites em claro esperando que o celular apite uma mensagem ou o telefone toque uma música com tua voz, teus sussurros.


as águas mansas não me ofertam mais que paz interior. não é isso que a Mariana procura, verdadeiramente. ela gosta da dor do amor, gosta do sofrer cada instante, esperando que o outro seja melhor, mesmo não sendo. ela gosta da insegurança do amor, da sensação de estar pisando em ovos quando quer abrir o coração pra ele, fazer aquela declaração pública de amor, escrever aquele poema meloso, quer mandar uma carta e ficar aguardando asiosamente a espera. aguardando a espera. aguardando a espera. porque no fundo sabe que a carta nunca chegará, a resposta não virá. e ela morrerá, se debulhará em lágrimas até o grito e a dor não fazerem mais sentido, e ela se pegará largada no meio do chão, no tapete do quarto, rindo da própria loucura. rindo da própria intensidade.


não receber a resposta da mensagem. quantas vezes deixei de responder a quem me amava? quantas vezes recebi emails e mensagens de amor e nem sequer respondi?


quero passar por isso, do lado de lá. aquela angústia que se dá só de pensar que você daria as mãos, os pés, o cabelo, as unhas, o mundo por aquela pessoa, por aquele risinho de meia boca ou o olhar mais doce do mundo. quero estar do lado de lá.


a loucura é tudo aquilo que ela sente falta, e que você não a proporciona. o desespero é tudo aquilo que ela quer sentir uma noite inteirinha, quando você a oferta calmaria em timbres e tons. o dia de chuva em casa quer fazê-la lembrar do quanto é bom amar e morrer (mesmo que imaginariamente, cada parte de teu corpo) por amor!


não essa calmaria..

o amor não pode ser calmaria.

domingo, 12 de agosto de 2007

desabafo, marinês



é.
é necessário mesmo voltar a me conhecer.
é necessário mesmo ser minha, e só minha, sem mais picas e paus.
é necessário. preciso.
abandonar os vícios, ser minha novamente, respirar alegremente o ar de cada manhã, sem essa carência.
excesso de carência.
não encontra-se nos outros aquilo que Ninguém saber ser, ou ter.
quero ser novamente
preciso ser novamente
pra então caminha tranqüilamente
quem é essa que aqui reside? sem o brilhinho nos óim, sem o sorriso mais sincero nas horas mais indevidas, sem pensar, chorooosa, manteiga que morre de amores por qualquer um que se apresente difícil conquista?
cadê?

sábado, 11 de agosto de 2007

olh'ela aí de novo querendo se enganar


e sabe o quê?


de repente deu-se conta que, embora não tenha se permitido, o tal entrou e instalou-se na vida dela de um jeito muito cômodo. confortável.

de repente ela o ameaçava, dizendo que iria abandolá-lo o quanto antes, pois a situação estava ficando insustentável.

e era bom, ser a boneca mais cobiçada. e era bom, poder saber que sairia quando bem entendesse, e que isso ainda seria um trunfo. sairia pisando em sabe lá o quê, mas sairia com seu nariz arrebitado.
sucede então, que ele, o tal, resolveu abandolá-la sem aviso prévio, sem conversinha de dedinhos chupados, modinha de viola ou uma cosquinha no pé. sucede então que seu orgulho começa a corroer por dentro, talvez seja orgulhinho mesmo, ou uma pitadinha de vaidade. mas creio que o que acontece mesmo é que ela se viu amarrada por ele, nesses tais laços invisíveis e essas amarras que a liberdade amorosa concebe.
esse tal de 'envolvimento' é mesmo um chato de galocha.

te pica menina, é o que o hemisfério esquerdo fala pra ela. te pica antes que seja tarde e você se machuque, princesinha. mas lá vem o direito e perturba essa quieta racionalidade, fazendo com que ela mande mensagens no meio d'uma madrugada. a loucura, a insensatez e a embriaguez estao todas aqui discutindo: qual delas sente mais falta de te sentir.
quando é ela mesma que sente. seu lado direito não nega. agora nem mais o esquerdo abafa o caso.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Lá do outro lado do céu


alguém derrama num papel novos poemas de amor.
lá do outro lado, longe mesmo, alguém transforma lágrimas em canto
transforma tormento em vento
alegria num céu tingido de vários tons.
o sol dá seu bom dia em forma de cores e sons e a natureza devolve a oferta, cantando com seus pássaros e chacoalhando suas folhas, que balançam à dança do vento. divina dança, esta, ofertada pela brisa que vem lá do mar, lá onde Laiá dorme.
ficamos minh'alma e eu,
fazendo parte, ao invés de apenas contemplar e agradecer. sentindo que também fazemos parte dessa natureza.

Belo dia!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Juz ao título do recanto, cheio de encanto


nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fechae abre;
só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas


e.e. cummings


traduzido por Augusto de Campos