e dessa liquidez, b e b a

rio que transborda ~ águas de dilúvio ~ desaguando em qualquer mar ~ todo o mar ~ maré cheia

segunda-feira, 10 de novembro de 2008




talvez eu ainda não tenha aprendido o suficiente com os ipês.
ensinem-me, belos


ensinem-me!

emergência

seu corpo já cansado, fatigado da mesma ladainha da sua cabeça, se rende ao consolo da cama solitária de solteiro.o cheiro no travesseiro ainda está lá e o sentido a penetra sem pedir licença, fazendo lembrar do prazer tido naquela tarde incrivelmente quente.

a cabeça rodeia; ela inquieta.
ela pensa em desistir.
ela pensa em deixar pra lá.
ela pensa em melhorar.
ela pensa em esquecer.
esquecer tudo aquilo que a faz sangrar. tudo aquilo que a faz doer. que rasga e queima e pira, faz casulo na cabeça.

talvez pense em encarar.

pensa que todas as opções são fugas. e que deve doer demais encarar aquele fato que já a fez sofrer tanto. e que dói muito agora, dói a toda hora. e que esquecer é quase como colocar a mão num machucado; basta alguma coisinha que cutuque novamente a ferida que ela abre e, sem dó, desanda e desestanca numa enxurrada de lembranças.
angústia na cama molhada de suor, lágrimas e desgostos.
é melhor encarar, o esquecimento pode voltar na forma de lembrança, e a lembrança torna-se sentimento, e o sentimento vir à tona, entrar nos olhos e se transformar em lente. daí subir à cabeça e descer à boca, ir pros membros, ir pro mundo e ferir quem não deve ser ferido.
e sabe que, no fundo no fundo, aquilo tudo está na superfície;
é o ego,
talvez orgulho.
é uma briga feia.
ela briga consigo mesma.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

sobre.ser.e.fazer


o corpo
movimento queda ascensão / descobrimento desbravamento preconceito ilusão /real visão contato improvisação /criatividade pressão n.ã.o /aceitação d i v e r s i d a d e processo criação / respiração controle [gesto] preciSÃO / limite aprendizado dor superação/ tato visão sentido diferenciação
o chão

o corpo do corpo nu.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

lembrete

ACHAR MENOS
SER MAIS
achar ME menos
ser mais
me achar menos?
ser-me mais,mesmo

ACHAR (me) menos
SER (me) MAIS

sábado, 16 de agosto de 2008

comportamento geral

Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado

Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado

Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado

Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabar em teu Carnaval

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabar em teu Carnaval
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
E um Fuscão no juízo final
Você merece, você merece
E diploma de bem comportado
Você merece, você merece

Esqueça que está desempregado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

[Gonzaguinha]

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

ai... (suspiro)
depois de um dia continuamente corrido, onde cada minutinho veio coladinho n'outro sem dar trégua nem pra respirar,
encontrei minha calma num céu crepuscular.

domingo, 3 de agosto de 2008

a poesia da cólica menstrual

em geral, os animais ovulam e copulam com um objetivo: o de reproduzir. você ovula para que seu ovócito seja penetrado por um espermatozóide, o mais rápido e robusto deles, e torne-se um óvulo. posteriormente um embrião e logo logo um feto.
mas nós, humanos, temos recursos contraceptivos. não queremos ser como macacas no cio ou como éguas no estro, trepando a todo o momento (isso queremos) e embarrigando a cada ovulação (isso não). também não somos como as ratas, que se não estiverem no estro, não acasalam. sem o estímulo hormonal da ovulação uma rata não consegue se colocar na posição sexual, a lordose, na qual ela arqueia as costas e sacode sua caudinha para bem longe, prontinha para receber seu macho. essa posição muda o ângulo e a abertura da vagina, tornando-a acessível ao pênis do seu ratinho quando ele a cobre por trás. nas porquinhas-da-índia uma membrana normalmente recobre a abertura vaginal. para abrir a membrana e permitir o sexo é preciso haver a liberação de hormônios sexuais, durante a ovulação. e o hormônio sexual que dita em maior tom de voz é o estrogênio; é ele que controla tanto o desejo sexual como a física sexual.
ainda bem que não temos membrana alguma nos impedindo de transar quando bem entendemos ou dependemos do estrogênio para nos posicionarmos, apenas quando estamos ovulando e sabemos que a chance de gerar prole é quase sempre garantida, de quatro ou de pernas abertas. ainda bem que somos como nossas amigas primatas - transando quando bem entendemos - e com uma vantagem em cima delas: não engravidamos a toda ovulação, graças aos nossos métodos, seja lá qual for ele.
mas, será que ainda não temos alguns requícios dessa aparente "evolução"? será que nosso corpo não guarda mágoas e rancores, na forma de primitivismos? qual será a função biológica da cólica? ficarmos tão doloridas a ponto de nos sentirmos um vegetal prostado na cama ou ficarmos iradas como forma de proteção (??) ao óvulo não fecundado que está sendo desprezado e descartado?
tirando o fato cientificamente tedioso de que a dor é proveniente dos movimentos musculares de compressão de nosso querido útero (órgão único e sem equivalente masculino), para que então o endométrio se destaque do nosso miométrio e descame, levando com ele - como se já não fosse suficiente a perda significativa de tecido da nossa parede uterina - sangue, muito sangue, será que nosso querido corpitcho não sente uma pontinha de mágoa por não haver fecundado dessa vez? será que, ao perceber que o primoroso e dispendioso (afinal, por que é que você pensa que quer comer tanto chocolate assim? tanto açúcar a cada dia de tpm e durante a menstruação? filhota, o trabalho da ovulação é energeticamente dispendioso! esse seu desejo de chocolate nada mais é que obra do seu órgão feminino pedindo energia, energia, energia!! pra cobrir tudo aquilo que agora ele sabe que está simplesmente indo para o lixo, quer dizer, para o absorvente. é seu útero reinvidicando energia) trabalho de preparar e escolher um ovócito entre vários outros possíveis ovócitos para ser liberado e lindamente farejado e capturado pelas fímbrias rosadas de nossas tubas uterinas para abrigá-los numa viagem pelo túnel rosado de nossa mucosa falompiana foi por água abaixo (ou útero abaixo), ele não se sente triste? e chore? e doa? seja machucado e também machuque?
acho que esse é ponto de vista que quero ter das minhas cólicas, já que elas me acompanham há vários anos e provavelmente continuarão a me acompanhar pelo resto de minhas menstruações. não a nego. nunca a neguei. nego o sofrimento calado. dou ao meu útero o direito de não calar sua dor. de se mostrar ferido e me ferir também, de sentir ira por não ter sido fecundado e gritar de dor. dou-lhe o direito ao sofrimento, dou-lhe o direito a dor, dou-lhe o direito ao grito. dou-lhe tudo isso e grito e choro junto com ele.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

caia FORA do conTEXTO
invente seu enDEreço
a cada mil lágrimas sai um milagre

terça-feira, 29 de julho de 2008

sobre começos ou momentos que fotografo na memória


Dança mais perto
Perto de mim
Chega aqui
De rabo de olho
E de saia também
Te vejo
Te sinto
Rodo e te vejo
E te sinto

Mas não olho
Vejo. Não olho
Sinto. Não toco.

Te perdi do meu olhar!
Ai, e ainda levou meu ar!
Onde andas?
Ah.. no bar
O olho enxergou
O ar voltou
Com tua graça risonha
Agora dança mais.

De novo! O ar!
Roubou de mim
Ali, longe!
Aqui, agora.

Vês? Ah, vê!
Certeza tenho! Me procuras também, te vejo me olhando,
Só quando não me vês
Dançando, disfarçando. Talvez?!

Vai mesmo?
Já?
Pena, pena..

Abraço apertado. Parabéns
Adorei, foi mais que demais.
Já te parabenizei?
De novo,
É que foi demais.
E esse medo de olhar no fundo?
Ai.

Volto contigo
Pra casa
Contigo

Não no branco, no verde.
Não no passageiro, no guia.

Voltarei contigo
No passageiro
No branco
No vidro
Tamborim.
Ou caixinha de fósforos
por mim....

img: Yasuhide Fumoto

sexta-feira, 25 de julho de 2008

segunda-feira, 21 de julho de 2008

conversa de elevador

- Mas, mãe, se eu não falar a professora pode descob...

- Filhô, eu já te avisei! Se você não fez o dever NÃO É PRA FALAR QUE NÃO FEZ! Não se acusa assim! Espera ela perguntar e aí vo...

- Mas, mãe! Ela vai descobrir e aí vai ser bem pior!

- Deixa ela descobrir! Você fala que não lembrou... melhor que ficar se denunciando, ouviu? Vai que ela nem confere os deveres? Você sai na melhor!

- Mas...

- Entendido, né Gabriel?!

sábado, 19 de julho de 2008

então é assim:

img: Alissa Monks, the last call, 2002

é assim que saio da tua vida
sem tristes despedidas, sem lágrimas no rosto, sem gritos de sufoco.
saio assim, feito a rainha do samba; com um triste sorriso no rosto mas com gingado nas ancas.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

o que afeta e rasga, tange e quase tinge de uma cor furtiva - que foge da vergonha - é esse conta-tudo-que-faz. olha, eu sou assim!, e dança e requebra feito mamulengo, exagerando as articulações, deixando os joelhos tronxos. uma queda inevitável, diriam, se não fosse uma mão por trás, firme na cintura.
ai, bonequinha de luxo... ha ha ha! de luxo??
de seda ou de pano?

tá mais pra pano. surrado e remendado com agulha de farpa, remendo de festa de anteontem, sujo de vinho e de bolo, de riso forçado, de gozo e de raiva.

um trapo, por assim dizer.




..e são tantos assim, que andam por aí, fingindo ser o que já nem sabem se já foram.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

líquida

é vida que se derrama
escorrendo
entre as pernas quentes
que se abrem e se fecham
e se moldam conforme a noite pede

é líquida.
escorrendo nos seios
saciados da sede
da tua boca sedenta
daqueles seios sedentos
da tua sede de arder

pra depois se liquefazer.

é líquida.
escorrendo no peito
úmido do ato
úmido do fato
consumado de nós dois

e na ponta dos dedos,
é líquida.
é líquida,
de uma brancura leitosa


. . . . . . .



de uma cor: a tua
nos lábios carnudos, já com cheiro de nostalgia, um gosto: o teu.


sempre líquida,
essa vida.

domingo, 8 de junho de 2008

das conclusões de Larica


sábado, 31 de maio de 2008



"sexo sem pecado é como ovo sem sal


,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

Luís Buñuel

terça-feira, 27 de maio de 2008

pensamento-palavra

da noite maravilhosa que me foi reservada, pelos deuses todos lá de cima e daqui de baixo; o simples prazer de ver pessoas queridas, que só fazem bem ao meu ser - e à Terra, com certeza.

a frase:

"o amor e a raiva. são as duas coisas que nos impulsionam à ética."
Paulo Freire

e agora, (des)costurando tudo:
"amo minha inconclusão"

segunda-feira, 12 de maio de 2008

ARTUR OMAR

retire o centro e terás um universo

sexta-feira, 2 de maio de 2008

L'Abraccio



sexta-feira, 4 de abril de 2008

vício

- sou viciado em você.
é o que ele disse ao ver que o relacionamento estava com o laço quase-que-desfeito. a chuva rala já começara a mostrar sua decepção noturna, pingando ora aqui, ora acolá no vidro do carro.
- viciado?! taí. o vício é egoísta, meu bem. o amor, não. o amor tem as portas sempre abertas.

silêncio.

era o tal do silêncio ensurdecedor. ele, que era mesmo surdo, estava habituado ao silêncio. era sempre assim; ela falava pelos cotovelos, falava do que sabia e do que não sabia, principalmente do que não sabia. e cantarolava melodias, recitava poesias, falava do dia, das cores, dos amigos, dos antigos, do vizinho. ele, lacônico. como não sabia dizer nada por dizer, calava. e ela dizia tudo o que queria, e ele escutava. ele não entendia e não respondia, escutava. e mesmo quando entendia, calava.
e ela rogava aos deuses pra que ele falasse, um palavra ao menos! nem que fora do tom, nem que seja a agulhada que ela esperava receber. e ele emudecia. e fechava os olhos e suspirava longo. talvez elaborasse dizer alguma frase pronta. nada!
nada!


[continua..]

segunda-feira, 31 de março de 2008

OURO na regata!


quinta-feira, 27 de março de 2008

a nuvem

em brasília é assim:
as nuvens não entram num consenso, nunca. não há união. quando isso acontece é por pura inveja das demais, o que não faz do 'acordo' um consenso. elas são individualistas mesmo. aqui é cada uma por si e ponto. qualquer dia e qualquer hora é tempo de anunciar pras colegas: VOU CHOVER! e pronto. exerce toda a sua independência e liberdade de nuvem chovendo ali mesmo, no meio de tantas outras.
há as que escorrem muito, chovem quase um drama inteiro, que chega dá um nó na tal. outras são mais românticas, pingam num canto, ali naquele outro, uma gotinha pr'aquela flor, outra naquele camarada passando ali embaixo, e vão assim, nesse ritmo quase respirado entre gota-e-outra. quando bate a inveja, a coleguinha de céu exerce também seu egoísmo: GALERA, TOU PRECIPITANDO! e precipita mesmo. precipita xôxa, precipita choro, daquele chorinho contido, de quando te falam: não chora, não, bestalhão! outras, mais avoadas, precipitam alegria e fazem quase um samba de gotas na terra, grama e todo o resto. não ligam não, pros olhares das outras e vão assim, desfilando suas gotas que sambam alegria em terra de ninguém.
é assim.

hoje uma nuvem braba e incansável me seguiu. ela jorrava cada gota d'água que parecia mais raiva que independência, mais fervor que liberdade de não ter que dar satisfação às companheiras de céu, mais choro berrado que chuva. choveu só, choveu forte, choveu TUDO de nuvem que tinha, e se fez viva em cada gota. e fez gota grossa, fez gota quente e fez gota doída, e era cada uma que me pingava.. que me inundou toda!

tive que parar, olhar no interior da alma tal da nuvem e gritar: ei, nuvem! pára de se doer assim que daqui eu tou sentindo essa tristeza e esse rancor, minha filha! olha ali pro lado, olha, olha! tá vendo aquela amiguinha ali, toda cumulosa?! então, meu amor.. sorria em formas volumosas e formosas. tá bom, vai.. para isso, tire toda essa umidade de você. vai! chova em mim, chova sim, mas me garanta que cada gota dessa chuva só vai servir pra lavar teu sentir. combinado?!
e assim fomos pra casa. eu e a nuvem, ela sentindo-se menos só, eu, sentindo seus lamentos de alívio.
e foi só botar minh'alma à escuta integral da nuvenzinha e fazer aquela curva que PRONTO! o pranto todo passou, e ela chega suspirou. um suspiro tão forte que as árvores todas sentiram e balançaram seus galhos, fazendo cada folha cair ritmada e aliviada.
ela me sorriu sua última gota, que foi tão morna, que entendi: agora estava lavada a nossa alma.


ela voltou a sorrir pro dia.

sexta-feira, 21 de março de 2008

bem-vindo, O.U.T.O.N.O.!


A estação do outono inicia-se às 02h48 do dia 20 de março de 2008 . Sendo uma estação de transição entre o verão e inverno, verificam-se características de ambas, ou seja, mudanças rápidas nas condições de tempo.

É a época em que as folhas caem.

Nas plantas, é a forma que algumas encontram para não perder água pelo processo de evaporação e transpiração pelas folhas, armazenado essa água nos tempos mais frios e menos chuvosos.

Vou deixar também que minhas folhas caiam, vou centrar energias, esperar, observar, descontruir as regras auto-impostas, respirar. acumular energia vital. acumular meu eu, amar meu eu, acumular amor.

pra depois s.e.m.e.a.r.

quá quá rá quá quá!

aaai, ólha só que délíça de mulé..
e ela anda me matando




de felicidade! e como não seria!
(e olha que essa é a música de trabalho da vez, e sem enjoar!)

terça-feira, 11 de março de 2008

um trecho




"é sabido que, no espaço de um segundo, pode cruzar-nos a mente toda uma série de considerações e juízos sob a forma de sentimentos nada fáceis de traduzir em palavras e muito menos em linguagem literária. (...)
já que nossas sensações, traduzidas em palavras, se tornariam de todo inverossímeis."


DOSTOIEVSKI,
em UMA HISTÓRIA LAMENTÁVEL

domingo, 9 de março de 2008

Não deveria se chamar amor

música que Moska fez pro seu filhote, Antônio

O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar amor

Poderia se chamar nuvem
Pois muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca assisti antes

Poderia se chamar labirinto
Pois sinto que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar aurora
Pois vejo um novo dia que está por vir

Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta, mas sei que não é assim

Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado

Poderia se chamar universo
Porque nunca o entenderei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer aventureiro

Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo

quarta-feira, 5 de março de 2008

pensamento-palavra

"Cabe ao homem compreender que o solo fértil, onde tudo que se planta dá, pode secar; que o chão que dá frutos e flores pode dar ervas daninhas; que a caça (escassa) se dispersa, e a terra da fartura pode se transformar na terra da penúria, da fome, da destruição. O homem precisa entender que de sua boa convivência com a natureza depende sua subsistência, por isso não deve matar um animal se não for se alimentar dele, não deve arrancar uma folha sem necessidade, não deve abrir caminhos na floresta por onde jamais passará. O ser humano precisa entender que a destruição da natureza é a sua própria destruição, pois a sua essência é a natureza: a sua origem e o seu fim"

PAI CIDO DE ÒSUN EYIN

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

e falando nele.. (e em mim)

em homenagem à noite de ontem, que me chamou, clamou, sacudiu, pediu, pediu e mereceu! foi LINDA!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

dentro, no centro


da entrada à entranha
dessa eterna
morada
da morte diária
molhada
de mim
desde dentro
o tempo
acaba
entre lábio e lábio
de mucosa rósea
que abro
e me abra
ça a cabe
ça o tronco
o membro
acaba o tempo



texto (boceta) e poema visual: ARNALDO ANTUNES

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

é o que todas as mulheres precisam

.. e como!



His wicked sense of humour
Suggests exciting sex
His fingers focus on her
Touches, he's venus as a boy

He believes in beauty
He's venus as a boy

He's exploring
The taste of her
Arousal
So accurate
He sets off
The beauty in her
He's venus as a boy

He believes in beauty
He's venus as a boy


[björk ]
[venus as a boy]

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

sobre o silêncio e as palavras

"Nem acredites se pensas que te falo: palavras são meu jeito mais secreto de calar"
Lya Luft

"Um homem é mais um homem pelas coisas que cala do que pelas coisas que diz"
Camus, em O Mito se Sísifo

"O mais seguro dos mutismos não é calarmo-nos, mas falarmos"
Camus, em o Mito de Sísifo, citando Kierkgaard

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O jogo da Amarelinha


Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.


Julio Cortázar

Rayuela, Capítulo 7

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

m.u.l.h.e.r

O mistério da mulher está em cada afirmação ou abstinência, na malícia das plausíveis revelações, no suborno das silenciosas palavras.
Henriqueta Lisboa

Na "mulher interessante", a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando: - "Ser bonita não interessa. Seja interessante!"
Nelson Rodrigues
imagem: Alissa Monks

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Fim de Festa

Meu amor por você chegou ao fim
É tudo que tenho a dizer
Também não precisa sair assim
Espere o dia amanhecer
Itamar Assumpção
*sou toda .suspiros. nas cordas dessa música

sábado, 9 de fevereiro de 2008

ao passo dos passos no samba

e se quiser entrar na dança só depende de você solte o corpo na corrente deixe a vida te levar até a voz ecoar voar soltar teus timbres por aí rode a saia rodada rode o dedo no ar rode dance levante solte o barco desamarre os nós que te prendem espalhe-se desfaça os laços que não são firmes faça novos e firmes não firmes ame-se deixe entrar na dança solte os cabelos balance a cabeça feche os olhos sinta os pés tocando o chão as mãos tocando o ar tua pele na pele deixe-se pra sentir você não precisa perguntar só depende de você se olhar direito não negue seja sinta deixe não ligue não vá o que for pra ser acontecer viver não precisa se preocupar morrer pra nascer nasça renasça e faça seja brilhe voe voe voe voe voe voe!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

As piores horas


as piores horas são sempre antes de levantar-se.
é quando acorda, sente seu corpo já atento, quando pode perceber os dedos dos pés e mãos, que ele lhe invade os pensamentos.
os primeiros pensamentos do dia lhe são roubados por ele, por simples acaso, caso não acredite em acaso, por simples infortúnio.
não pense que são escolhas.

é quando dá o último suspiro inconsciente e o primeira inspirada consciente do dia que ele lhe vem de arroubo pelos pêlos, pele e ar e invade o espaço entre o olho e a pálpebra. é ali onde lhe rouba a nova visão do alvorecer e também o ar, por instantes angustiantes, agoniantes.

é preciso respirar muito fundo e fazer uma breve oração de desejos verdadeiros para que ele se vá quando seus olhos já estiverem abertos, já acordados, já atentos.

são as horas mais angustiantes do dia.
é quando mais pede para que ele se vá.
é quando mais quer que se vá.

e, de uma vez por todas, vá.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

goles de amor

já vou avisando:
se não quer, não entre neste labirinto. decida-se primeiro, antes de adentrar este recinto tortuoso. ouviu?
se quer se perder, entre. se quer a certeza de saber se achar, nem pense!
prestou bastante atenção?

não venha assim, morno, gostoso, suave feito brisa. não venha me prender, não venha se perder. se entrar, é pra ficar.

- e você veio abrindo a porta-alma toda, veio escancarando portas e janelas como se a casa sua fosse, tirou sapato e dançou descalço!!

não venha saciar a saudade com goles
não venha saciar as vontades esporádicas
saciando de gole em gole é que vamos nos embebedar

de gole em gole eu me embebedo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Oxalá, que venham dias suavemente belos



belos sejam os dias de 2008!