e dessa liquidez, b e b a

rio que transborda ~ águas de dilúvio ~ desaguando em qualquer mar ~ todo o mar ~ maré cheia

terça-feira, 29 de julho de 2008

sobre começos ou momentos que fotografo na memória


Dança mais perto
Perto de mim
Chega aqui
De rabo de olho
E de saia também
Te vejo
Te sinto
Rodo e te vejo
E te sinto

Mas não olho
Vejo. Não olho
Sinto. Não toco.

Te perdi do meu olhar!
Ai, e ainda levou meu ar!
Onde andas?
Ah.. no bar
O olho enxergou
O ar voltou
Com tua graça risonha
Agora dança mais.

De novo! O ar!
Roubou de mim
Ali, longe!
Aqui, agora.

Vês? Ah, vê!
Certeza tenho! Me procuras também, te vejo me olhando,
Só quando não me vês
Dançando, disfarçando. Talvez?!

Vai mesmo?
Já?
Pena, pena..

Abraço apertado. Parabéns
Adorei, foi mais que demais.
Já te parabenizei?
De novo,
É que foi demais.
E esse medo de olhar no fundo?
Ai.

Volto contigo
Pra casa
Contigo

Não no branco, no verde.
Não no passageiro, no guia.

Voltarei contigo
No passageiro
No branco
No vidro
Tamborim.
Ou caixinha de fósforos
por mim....

img: Yasuhide Fumoto

sexta-feira, 25 de julho de 2008

deixe que ela fale por si

segunda-feira, 21 de julho de 2008

conversa de elevador

- Mas, mãe, se eu não falar a professora pode descob...

- Filhô, eu já te avisei! Se você não fez o dever NÃO É PRA FALAR QUE NÃO FEZ! Não se acusa assim! Espera ela perguntar e aí vo...

- Mas, mãe! Ela vai descobrir e aí vai ser bem pior!

- Deixa ela descobrir! Você fala que não lembrou... melhor que ficar se denunciando, ouviu? Vai que ela nem confere os deveres? Você sai na melhor!

- Mas...

- Entendido, né Gabriel?!

sábado, 19 de julho de 2008

então é assim:

img: Alissa Monks, the last call, 2002

é assim que saio da tua vida
sem tristes despedidas, sem lágrimas no rosto, sem gritos de sufoco.
saio assim, feito a rainha do samba; com um triste sorriso no rosto mas com gingado nas ancas.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

o que afeta e rasga, tange e quase tinge de uma cor furtiva - que foge da vergonha - é esse conta-tudo-que-faz. olha, eu sou assim!, e dança e requebra feito mamulengo, exagerando as articulações, deixando os joelhos tronxos. uma queda inevitável, diriam, se não fosse uma mão por trás, firme na cintura.
ai, bonequinha de luxo... ha ha ha! de luxo??
de seda ou de pano?

tá mais pra pano. surrado e remendado com agulha de farpa, remendo de festa de anteontem, sujo de vinho e de bolo, de riso forçado, de gozo e de raiva.

um trapo, por assim dizer.




..e são tantos assim, que andam por aí, fingindo ser o que já nem sabem se já foram.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

líquida

é vida que se derrama
escorrendo
entre as pernas quentes
que se abrem e se fecham
e se moldam conforme a noite pede

é líquida.
escorrendo nos seios
saciados da sede
da tua boca sedenta
daqueles seios sedentos
da tua sede de arder

pra depois se liquefazer.

é líquida.
escorrendo no peito
úmido do ato
úmido do fato
consumado de nós dois

e na ponta dos dedos,
é líquida.
é líquida,
de uma brancura leitosa


. . . . . . .



de uma cor: a tua
nos lábios carnudos, já com cheiro de nostalgia, um gosto: o teu.


sempre líquida,
essa vida.

domingo, 8 de junho de 2008

das conclusões de Larica


sábado, 31 de maio de 2008



"sexo sem pecado é como ovo sem sal


,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

Luís Buñuel

terça-feira, 27 de maio de 2008

pensamento-palavra

da noite maravilhosa que me foi reservada, pelos deuses todos lá de cima e daqui de baixo; o simples prazer de ver pessoas queridas, que só fazem bem ao meu ser - e à Terra, com certeza.

a frase:

"o amor e a raiva. são as duas coisas que nos impulsionam à ética."
Paulo Freire

e agora, (des)costurando tudo:
"amo minha inconclusão"

segunda-feira, 12 de maio de 2008

ARTUR OMAR

retire o centro e terás um universo

sexta-feira, 2 de maio de 2008

L'Abraccio



sexta-feira, 4 de abril de 2008

vício

- sou viciado em você.
é o que ele disse ao ver que o relacionamento estava com o laço quase-que-desfeito. a chuva rala já começara a mostrar sua decepção noturna, pingando ora aqui, ora acolá no vidro do carro.
- viciado?! taí. o vício é egoísta, meu bem. o amor, não. o amor tem as portas sempre abertas.

silêncio.

era o tal do silêncio ensurdecedor. ele, que era mesmo surdo, estava habituado ao silêncio. era sempre assim; ela falava pelos cotovelos, falava do que sabia e do que não sabia, principalmente do que não sabia. e cantarolava melodias, recitava poesias, falava do dia, das cores, dos amigos, dos antigos, do vizinho. ele, lacônico. como não sabia dizer nada por dizer, calava. e ela dizia tudo o que queria, e ele escutava. ele não entendia e não respondia, escutava. e mesmo quando entendia, calava.
e ela rogava aos deuses pra que ele falasse, um palavra ao menos! nem que fora do tom, nem que seja a agulhada que ela esperava receber. e ele emudecia. e fechava os olhos e suspirava longo. talvez elaborasse dizer alguma frase pronta. nada!
nada!


[continua..]