já vou avisando:
se não quer, não entre neste labirinto. decida-se primeiro, antes de adentrar este recinto tortuoso. ouviu?
se quer se perder, entre. se quer a certeza de saber se achar, nem pense!
prestou bastante atenção?
não venha assim, morno, gostoso, suave feito brisa. não venha me prender, não venha se perder. se entrar, é pra ficar.
- e você veio abrindo a porta-alma toda, veio escancarando portas e janelas como se a casa sua fosse, tirou sapato e dançou descalço!!
não venha saciar a saudade com goles
não venha saciar as vontades esporádicas
saciando de gole em gole é que vamos nos embebedar
de gole em gole eu me embebedo.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Iemanjá, minha mãe de cabeça

salve iemanjá
salve a rainha do mar!
A Grande Deusa do Mar faz parte do grupo das mães maiores. Ela é a mãe das águas primevas, que precedem a forma e sustentam a criação. A água, que é uma força feminina por excelência, possui outros deuses e encantos, como Averekue, o príncipe jeje das espumas do mar, que garante riqueza e prosperidade àqueles que lhe oferecemum orobô em sua morada. Contudo, Iemanjá, a força da cabeça e do príncípio, é a rainha do mar.
Iemanjá é água que não se prende, é a água que se estende na amplidão, que une os povos. Nem o poderoso rei de Ifé, Olofim, conseguiu manter Iemanjá perto de si. Ela se cansou de permanecer em Ifé e, contra a vontade de seu marido Olofim, fugiu em direção ao oeste. Na primeira tentativa de capturá-la, Olofim enviuou os guerreiros mais bravos do reino à sua procura. Sozinha, Iemanjá não teria como escapar, mas, muito astuta, armou um audacioso plano. Fez uma muralha de espelhos, armou-se com sua espada e seu abebé e, com imponência, colocou-se à frente da muralha. Quando os guerreiros deOlofim chegaram, depararam-se com Iemanjá pronta para a luta. Devido aos seus próprios reflexos, que julgaram ser um poderoso exército, fugiram assustados.
Iemanjá é o espelho do mundo, que reflete todas as diferenças, pois a mãe é sempre um espelho para o filho, um exemplo de conduta. Ela é a mãe que orienta, que mostra os caminhos, que educa, e sabe, sobretudo, explorar as potencialidades que estão dentro de cada um, como fez com os guerreiros de Olofim, mostrando o quanto eram bons seus ofícios, mas dizendo, ao mesmo tempo, que a guerra maior é a que travamos contra nós mesmos.

Iemanjá divide com Oxum o domínio sobre a maternidade, mas ela não é a mãe das crianças, mas dos jovens e adultos que já formaram personalidade e individualidade. Sua função é a maternidade como orientadora. Ela é mãe e esposa.
Todas as águas do mundo, doces ou salgadas, pertencem a Iemajá. Especialmente os rios que correm diretamente para o mar, pois o local de confluência das águas doces dos rios com as águas salgadas do mar é onde a força de Iemanjá se manifesta com mais intensidade.
Iemanjá poderia ser considerada a padroeira dos psicólogos, pois tudo que se relaciona à cabeça lhe diz respeito; aliás, o bem-estar psicológico só pode ser plenamente alcançado com as bênçãos de Iemanjá. Na verdade, o equilíbrio e a harmonia, seja pessoal ou familiar, são os mais caros bens que ela pode nos proporcionar.
Zelar pela família é a principal tarefa de Iemanjá. è ela quem promove a paz em todos os lares, mostrando que é preciso respeitar, amar e sobretudo ouvir os pais. Ser um bom filho é a única garantia de ter bons filhos, é fazer Iemanjá presente no lar e na vida.
DIA: sábado
DATA: 2 de fevereiro
METAIS: prata e outros metais prateados
CORES: branco, cristal, azul, rosa
COMIDAS: eboô com camarão seco e azeite, manjar, acaçá, bolo de arroz e mamão.
SÍMBOLO: abebé prateado
ELEMENTOS: águas doces que correm para o mar, águas do mar
PEDRAS: cristal e água-marinha
FOLHAS: pata-de-vaca, umbaúba, mentrasto
DOMÍNIOS: maternidade (educação), saúde mental e psicológica
SAUDAÇÃO: Eerú-Ìyá! Odó-Ìyá!
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orixás
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Viviane Mosé
quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando
muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema
palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema
receita para arrancar poemas presos:
você pode arrancar poemas com pinças
buchas vegetais. óleos medicinais
com as pontas dos dedos. com as unhas
com banhos de imersão
com o pente. com uma agulha
com pomada basilicão
alicate de cutículas
massagens e hidratação
mas não use bisturi nunca
em caso de poemas difíceis use a dança.
a dança é uma forma de amolecer os poemas
endurecidos do corpo.
uma forma de soltá-los
das dobras dos dedos dos pés. das vértebras
dos punhos. das axilas. do quadril
são os poema cóccix. os poema virilha
os poema olho. os poema peito
os poema sexo. os poema cílio
ultimamente ando gostando de pensamento chão
pensamento chão é poema que nasce do pé
é poema de pé no chão
poema de pé no chão é poema de gente normal
gente simples
gente de espírito santo
eu venho do espírito santo
eu sou do espírito santo
traga a vitória do espírito santo
santo é um espírito capaz de operar milagres
sobre si mesmo
para uma nova gramática:
imagine um sentimento água. um sentimento árvore.
uma agonia vidro. uma emoção céu. uma espera pedra.
um amor manga. um colorido vento sul. um jeito casa
de ser. uma forma líquida de pensar. uma vida paredes.
uma existência mar. uma solidão cordilheira. uma alegria pássaro em chuva fina. uma perda corpo.
acho que hoje acordei semente. tenho andado muito temporal. minha irmã vive um momento tudo. a vida
às vezes transborda pelos poros. me atinge um estado livro. aurora em meus joelhos. tem pessoas ponte.
algumas carregam a gravidade nas costas. já conheci gente
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando
muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema
palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema
receita para arrancar poemas presos:
você pode arrancar poemas com pinças
buchas vegetais. óleos medicinais
com as pontas dos dedos. com as unhas
com banhos de imersão
com o pente. com uma agulha
com pomada basilicão
alicate de cutículas
massagens e hidratação
mas não use bisturi nunca
em caso de poemas difíceis use a dança.
a dança é uma forma de amolecer os poemas
endurecidos do corpo.
uma forma de soltá-los
das dobras dos dedos dos pés. das vértebras
dos punhos. das axilas. do quadril
são os poema cóccix. os poema virilha
os poema olho. os poema peito
os poema sexo. os poema cílio
ultimamente ando gostando de pensamento chão
pensamento chão é poema que nasce do pé
é poema de pé no chão
poema de pé no chão é poema de gente normal
gente simples
gente de espírito santo
eu venho do espírito santo
eu sou do espírito santo
traga a vitória do espírito santo
santo é um espírito capaz de operar milagres
sobre si mesmo
para uma nova gramática:
imagine um sentimento água. um sentimento árvore.
uma agonia vidro. uma emoção céu. uma espera pedra.
um amor manga. um colorido vento sul. um jeito casa
de ser. uma forma líquida de pensar. uma vida paredes.
uma existência mar. uma solidão cordilheira. uma alegria pássaro em chuva fina. uma perda corpo.
acho que hoje acordei semente. tenho andado muito temporal. minha irmã vive um momento tudo. a vida
às vezes transborda pelos poros. me atinge um estado livro. aurora em meus joelhos. tem pessoas ponte.
algumas carregam a gravidade nas costas. já conheci gente
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viviane mosé
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Traga-me um copo d'água, tenho sede
E essa sede pode me matar
Minha garganta pede um pouco d'água
E os meus olhos pedem teu olhar
A planta pede chuva quando quer brotar
O céu logo escurece quando vai chover
Meu coração só pede teu amor
Se não me deres, posso até morrer
Tenho Sede
Gilberto Gil
E essa sede pode me matar
Minha garganta pede um pouco d'água
E os meus olhos pedem teu olhar
A planta pede chuva quando quer brotar
O céu logo escurece quando vai chover
Meu coração só pede teu amor
Se não me deres, posso até morrer
Tenho Sede
Gilberto Gil
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"a partir daí começo um outro dia sendo essa outra pessoa; eu"

e aí é aquele sentimento que devora, rasga, infesta tudo por dentro. como se fosse uma batalha; de mim comigo mesma.
com meus preceitos e minhas condutas erradas de acordo com meus próprios preceitos e cultura. 'errado' assim, nu e cru, não digo. o que é que pode ser errado aqui se sou eu quem dita as regras? só sinto que pode ser errado quando dói demais, e não digo aqui em intensidade, mas tempo. é tempo demais pra sentir-se aasim, nessa agonia toda.
tudo bem, digo sim, estou em desacordo com meu corpo e minha alma. (lá vem aquela história da alma transgressora e o corpo preservador. ok, ok, a lavagem tá dando certo, Seu Livro.) é a tal da tensão que tenho que manter e que siiiim, mais que NUNCA a tenho sob o único fio que ainda não desgarrou das tranças da corda de palha. é um vai-que-vai, um vem-que-vem, puxa pra cá, leva de lá, mas.. já quase não resta forças.
é o sentido que se perde no meio d'uma batalha.
estava conversando com amigas, quando uma delas solta um 'aaah, mas como você sabe eu sou bem resolvida! não espero que os outros tomem a decisão, não! eu me resolvo comigo e pronto! a partir daí começo outro dia sendo essa outra pessoa; eu' mas não fica reticente não? como portas entreabertas? nada, mulher. se você se resolve dentro de ti acaba de colocar teu ponto final.
aí eu percebo que um dos lados quer ceder. a bandeirinha branca começa a aparecer, e juro que espero por isso há tempos.
espera, a paz já vem.
e aí, corpo. e aí alma?!
vamos nessa?!
com meus preceitos e minhas condutas erradas de acordo com meus próprios preceitos e cultura. 'errado' assim, nu e cru, não digo. o que é que pode ser errado aqui se sou eu quem dita as regras? só sinto que pode ser errado quando dói demais, e não digo aqui em intensidade, mas tempo. é tempo demais pra sentir-se aasim, nessa agonia toda.
tudo bem, digo sim, estou em desacordo com meu corpo e minha alma. (lá vem aquela história da alma transgressora e o corpo preservador. ok, ok, a lavagem tá dando certo, Seu Livro.) é a tal da tensão que tenho que manter e que siiiim, mais que NUNCA a tenho sob o único fio que ainda não desgarrou das tranças da corda de palha. é um vai-que-vai, um vem-que-vem, puxa pra cá, leva de lá, mas.. já quase não resta forças.
é o sentido que se perde no meio d'uma batalha.
estava conversando com amigas, quando uma delas solta um 'aaah, mas como você sabe eu sou bem resolvida! não espero que os outros tomem a decisão, não! eu me resolvo comigo e pronto! a partir daí começo outro dia sendo essa outra pessoa; eu' mas não fica reticente não? como portas entreabertas? nada, mulher. se você se resolve dentro de ti acaba de colocar teu ponto final.
aí eu percebo que um dos lados quer ceder. a bandeirinha branca começa a aparecer, e juro que espero por isso há tempos.
espera, a paz já vem.
e aí, corpo. e aí alma?!
vamos nessa?!
domingo, 18 de novembro de 2007
Maria e o porto, Maria e o mar, Maria e o cais. [Maria Maré]
Por Chico Buarque
Olha Maria
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia
Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir
Parte, Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar
Sinto, Maria
Que estás de visita
Teu corpo se agita
Querendo dançar
Parte, Maria
Que estás toda nua
Que a lua te chama
Que estás tão mulher
Arde, Maria
Na chama da lua
Maria cigana
Maria maré
Parte cantando
Maria fugindo
Contra a ventania
Brincando, dormindo
Num colo de serra
Num campo vazio
Num leito de rio
Nos braços do mar
Vai, alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender
Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder
Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer
~ ~ ~ ~ ~
ELE
Quem me dera ficar meu amor, de uma vez Mas escuta o que dizem as ondas do mar Se eu me deixo amarrar por um mês Na amada de um porto Noutro porto outra amada é capaz De outro amor amarrar, ah Minha vida, querida, não é nenhum mar de rosas Chora não, vou voltar
ELA
Quem me dera amarrar meu amor quase um mês Mas escuta o que dizem as pedras do cais Se eu deixasse juntar de uma vez meus amores num porto Transbordava a baía com todas as forças navais Minha vida, querido, não é nenhum mar de rosas Volta não, segue em paz
OS DOIS
Minha vida querido (querida) não é nenhum mar de rosas
ELE
Chora não
ELA
Segue em paz
~ ~ ~ ~ ~
Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar
E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepio
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Rolando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar
Olha Maria
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia
Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir
Parte, Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar
Sinto, Maria
Que estás de visita
Teu corpo se agita
Querendo dançar
Parte, Maria
Que estás toda nua
Que a lua te chama
Que estás tão mulher
Arde, Maria
Na chama da lua
Maria cigana
Maria maré
Parte cantando
Maria fugindo
Contra a ventania
Brincando, dormindo
Num colo de serra
Num campo vazio
Num leito de rio
Nos braços do mar
Vai, alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender
Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder
Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer
~ ~ ~ ~ ~
ELE
Quem me dera ficar meu amor, de uma vez Mas escuta o que dizem as ondas do mar Se eu me deixo amarrar por um mês Na amada de um porto Noutro porto outra amada é capaz De outro amor amarrar, ah Minha vida, querida, não é nenhum mar de rosas Chora não, vou voltar
ELA
Quem me dera amarrar meu amor quase um mês Mas escuta o que dizem as pedras do cais Se eu deixasse juntar de uma vez meus amores num porto Transbordava a baía com todas as forças navais Minha vida, querido, não é nenhum mar de rosas Volta não, segue em paz
OS DOIS
Minha vida querido (querida) não é nenhum mar de rosas
ELE
Chora não
ELA
Segue em paz
~ ~ ~ ~ ~
Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar
E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepio
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Rolando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar
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segunda-feira, 12 de novembro de 2007
é, caetano.. me pegastes de jeito!
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De um quasar pulsando lôa
Interestelar canoa
Leitos perfeitos
Seus peitos direitos
Me olham assim
Fino menino me inclino
Pro lado do sim...
Rapte-me
Me adapte-me
Me capte-me
It's up to me, coração
Ser querer ser
Merecer ser
Um camaleão
Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas
Seus peitos direitos
Me olham assim
Fino menino me inclino
Pro lado do sim...
Rapte-me
Me adapte-me
Me capte-me
It's up to me, coração
Ser querer ser
Merecer ser
Um camaleão
Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas
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terça-feira, 30 de outubro de 2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
eu não quero um capacho não, seu dono..
eu quero alguém pra chamar de "meu amor", com aquela voz derretida de ternura, derretida de doçura..
alguém pra dizer "como eu te amo, meu amor! como eu te quero! não saia não de perto de mim.. "
eu quero alguém pra dizer "venha cá me dar um beijo na boca A-GO-RA senão eu morro!"
não é capacho não, seu moço..
é amor.
eu quero alguém pra chamar de "meu amor", com aquela voz derretida de ternura, derretida de doçura..
alguém pra dizer "como eu te amo, meu amor! como eu te quero! não saia não de perto de mim.. "
eu quero alguém pra dizer "venha cá me dar um beijo na boca A-GO-RA senão eu morro!"
não é capacho não, seu moço..
é amor.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
O Momento Que Passou ou A Experiência já Experimentada (e Passada)

céu nublado me deixa melancólica. chuva rala me deixa carente.. é coisa de cama, edredon, filminho e um bom vinho. é coisa de dois-a-dois, beijo na boca, abraço gostoso. é coisa de carinho nas costas, mão nos cabelos, toque suave no rosto. é coisa de mensagem no meio da madrugada, mesmo que ela não diga nada. é coisa de pegar um olhar. é coisa de delicadezas, de surpresinha embaixo do travesseiro, de bilhetinho no carro. é coisa de mãos-dadas..
é coisa de mãos-dadas, de pular nas costas, de carinho à toa, de correr e ir de encontro ao peito do outro. é tempo de palavras e sussurros maviosos..
é coisa de olhar e sentir aquela inadiável vontade de beijar. é coisa de perceber todas as novas pintinhas naquele rosto tão conhecido..
não é coisa de ligações esporádicas, de encontros casuais, de palavras que soam necessárias, de relacionamento que no fim de tudo é só sexo mesmo. isso é coisa (frustrante) pra alguns momentos da vida, apenas. momentos em que você não quer ser amada, ou quer sentir-se livre pra voar por aí sem ter que dar satisfação (a não ser pra você mesma e pra tua inquieta e tagarelante consciência).
céu nublado me deixa carente. chuva rala me deixa melancólica.
duração: o instante em que a mente vai longe, mas logo volta.
~ ~ ~ ~ ~
o que resta é a vontade do beijo na boca sem encontro marcado sem porquê sem finalidade sem princípio sem objetivo sem quando sem onde sem hora. é querer, é vontade.
e segundo ele, a guria não pode querer isso. ela realmente não quer nada disso ali sonhado. vive a jogar na cara que tudo aquilo lhe foi ofertado por mais de duas vezes em pouco tempo. e sabe o que fez a tal? não quis. é.. deixou passar, assim, de mãos abertas mesmo. não sentiu vontade de mergulhar, de pular de cabeça. medo? na não.. o que não tinha era vontade mesmo. queria o sabor da novidade, o frio na barriga do inseguro, o pisar dos sem-chão, o olhar pra cima dos sem teto, o respirar dos sem-ar. tanto fez que teve.
sentiu. e agora quer sair.
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